Dias assim-assim
 
Os dias assim-assim são os ideais para uma intensa jornada de BTT. É mesmo, não tenham dúvidas! Pois é, e lá nos concentrámos à hora que o galo da minha vizinha desperta (sim, também tenho vizinhos) no pavilhão gimnodesportivo de Alter do Chão. Sem atrasos, feitas as apresentações do novo sócio deste grande Clube, arrumada a tralha na carrinha de apoio e tirada a turrafia de grupo, lá nos montámos nas burras e nos fizemos ao caminho…até à tasca moderna (área de serviço) para um despertante café e um docinho para aconchegar as lombrigas.
 
Como prometido, o caminho foi quase todo percorrido fora de estrada, utilizando estradões de terra batida, guiados num primeiro troço (penso que Ponte de Sôr) pelo homem do PPS ( Post-it Positioning System ) e a segunda pelo homem do skoda, que depois de tanto meditar lá percebi por que é que ele “anda” mais que eu.
 
Todo este traçado, apesar de homogéneo, tem algumas diversidades no tipo de terreno, muito areado, zonas com seixo solto, outras mais compacto, muitas linhas de água, sem grandes subidas ou descidas, tornando o passeio divertido e pouco monótono, aliado também ao facto de ser a primeira vez a transpor estes locais e com boa disposição sempre presente. Como sempre acontece num bando de aventureiros, há sempre uma quedazita (nome que dou quando são outros a cair, quando sou eu é uma queda do camandro que me ia partindo todo) e um problema mecânico, prontamente remediado por um técnico especializado e resolvido por um profissional, contratempos que não nos fizeram perder muito tempo.
 
Sempre ouvi dizer que os alentejanos em geral e este grande grupo em particular, levam os repastos muito à séria e de facto este passeio deu bem para constatar essa premissa, não apenas pelo reforço proteínaco que o carro de apoio levava, mas também pelo compromisso de horário do almoço em Constância, que nos fez rolar a um andamento bem acima das minhas expectativas durante cerca de 90kms.
Como previsto chegámos à hora marcada (mais coisa menos coisa) à terra por onde Camões andou, e após o reconfortante banho no local da pernoita (Bombeiros Voluntários de Constância) lá nos dirigimos à esplanada onde nos esperava um belo almocito encabeçado pela carne à alentejana.
 
Após o belo, descansado e merecido almoço, tarde livre para as outras actividades desportivas extra BTT - matraquilhos, cartas, banho no Zêzere, casamentos (sim podem comprovar nas fotos), jogo da porquinha, levantamento de cálices, enfim uma série de actividades que deixa qualquer leitor exausto e a imaginar como esbeltos devem ser os corpos desses grandes atletas (mas esses gajos são profissionais, ou quê? - pensarão alguns). - Não, mas andamos lá perto.
 
Para rematar, um jantarzinho… caldeirada de lulas, para não pesar demasiado o estômago, porque estes gajos têm que se deitar cedo, pois amanhã são mais 50kms.
Bom, a seguir fui-me deitar juntamente com o meu compadre (cada um na sua cama, note bem) e muitos minutos depois lá se juntaram os motoqueiros, a adivinhar pelo estrondoso barulho que os seus motores rosnavam durante toda a noite.
 
Não sei que horas eram, mas seriam mais ou menos as mesmas a que o galo da minha vizinha desperta. E lá estávamos nós bem equipadinhos, quase todos com os jerseys mais bonitos do mundo (essa tem direitos de autor) rumo à etapa final do passeio, num dia também este assim-assim.
Novamente encaminhados pelo homem do skoda, os primeiros kms espelharam bem o que nos esperava no resto do percurso, com subidas mais longas e descidas mais curtas. E logo de inicio o primeiro furo. Felizmente não foi um mau prenúncio, pois creio que apenas houve mais um, o que num bando de 20 ciclistas é uma boa estatística.
 
Este traçado foi diferente do dia anterior, não apenas pelo declive, mas também por ser constituído por menos areia, mais tout-venant, com uma maior percentagem de estrada.
O acumulado dos kms e o declive mais acentuado foi estendendo o pelotão, mas mais uma vez sem grandes contratempos, e lá nos fomos aproximando da terra sagrada para alguns, da terra mãe para outros, de mais um destino, para os restantes.
E chegados por trás de Fátima, lá nos juntámos para a turrafia da praxe em pleno espaço do santuário, contentes por finalizar mais um desafio e mais uma aventura a qual tive o privilégio de acompanhar.
 
Mas, isto nunca poderia acabar assim. Então e o almoço? Pois claro, novamente em Constância, na mesma esplanada, um javalizito estufado com batatinha cozida. Enfim….só mimos. É assim que nos estragam.
Claro que organizar um passeio destes não é fácil e que por vezes não se consegue perceber todo o trabalho envolvido quando tudo corre bem.
Estão de parabéns todos os elementos que contribuíram para a organização e apoio a este belo passeio, em especial o grande Manuel Arcângelo (homem do Skoda), o Dr. Joviano Vitorino (Presidente da Câmara de Alter do Chão), o Sr. Luis Cané (Presidente da Junta de Freguesia de Alter do Chão), os chauffeurs António Tita, José Rufino e Joaquim Moisés, o incansável Sr. Marco de Constância, o Sr. Adelino Gomes (Comandante dos Bombeiros Voluntários de Constância) e todo o elenco de sócios organizadores.
 
Muito obrigado a todos e espero que tenha sido a primeira aventura de muitas com o grande Clube que é o Alter Real Btt.
 
PS: desculpem lá qualquer abuso de confiança, mas os miúdos (sou o sócio mais recente) são mesmo assim.
 
José Alexandre Silva
 
Alter - Fátima